O Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Cresans) Tembi'u Porã apresentou, na quinta-feira (28), aos gestores da Fundação PTI e de instituições parceiras, um perfil alimentar dos habitantes do PTI. Esse perfil foi elaborado após o mutirão realizado na Semana de Segurança Alimentar do ano passado.
O presidente do Instituto Harpia Harpyia, Dom Mauro Morelli, iniciou a reunião esclarecendo o objetivo do trabalho realizado. “Não estamos aqui para obrigar ninguém a não comer frituras, mas para orientar até mesmo quanto ao modo de preparo desses alimentos. Queremos que as pessoas vivam bem e com saúde”.
Composto por 32 perguntas, o questionário teve como objetivo o levantamento de informações quanto ao estado nutricional e alimentar da comunidade do PTI, buscando, assim, despertar a reflexão para a revisão dos seus hábitos cotidianos.
Os habitantes também passaram por exames de pressão arterial e tiveram calculado o índice de massa corporal. Os resultados da pesquisa foram apresentados e comentados pela nutricionista Maria Rita Marques de Oliveira, do Instituto de Biociências da Unesp, e pela enfermeira do Ambulatório-PTI, Sandra Regina Carneiro de Campos.
Posteriormente, os gestores discutiram ações para a continuidade do projeto. A Estação Ciência, por exemplo, que já busca despertar o interesse dos pequenos cientistas por um consumo de alimentos mais saudáveis, em breve colocará a sua horta também à disposição dos outros habitantes do Parque.
Diante da constatação da presença de pessoas que sofrem com estresse e depressão, a equipe de Recursos Humanos da FPTI deverá iniciar um trabalho de sensibilização à prevenção desses problemas, com a realização de palestras e a elaboração de informativos, através do projeto Segurança do Trabalho.
A CIPA-FPTI também participará do plano com atividades relacionadas à ergonomia e uma possível expansão da prática da ginástica laboral por todo o PTI. A futura substituição das seringueiras por árvores frutíferas e medicinais também foi colocada em pauta.
Os números da pesquisa
Talvez a falta de tempo seja a principal justificativa encontrada para a má alimentação dos habitantes do PTI. Segundo dados da pesquisa, apenas 32% das pessoas despendem mais que 15 minutos para realizar as principais refeições, 21,8% consomem comida rápida (fast food) pelo menos três vezes por semana e 53,6% consomem frituras ou embutidos quatro vezes por semana.
Toda essa má alimentação, aliada à falta de prática de exercícios físicos (25% dos entrevistados afirmaram não praticar qualquer atividade), podem acarretar problemas como a obstipação intestinal, que atinge 23% dos habitantes.
De acordo com o índice de massa corporal (IMC), 50% dos homens e 80% das mulheres examinadas estão de acordo com o seu peso ideal. Mas a pesquisa também apontou um dado alarmante: 51% dos entrevistados já tentaram emagrecer sem a ajuda de um especialista. “A alimentação dos habitantes está relativamente boa, com um pequeno alerta para o baixo consumo de vegetais e legumes”, afirmou a nutricionista.