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Lideranças do Oeste do Paraná iniciam formação sobre sustentabilidade urbana

13/09/2017

Até julho de 2018, um grupo formado por gestores, técnicos e representantes de instituições e de prefeituras da região vai estar focado no desenvolvimento sustentável do território urbano do Oeste do Paraná. Na última segunda-feira (11), eles iniciaram uma formação relacionada ao tema no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). 
      
Este é apenas o primeiro de cinco módulos previstos pelo programa que tem um conteúdo programático de 400 horas de atividades presenciais, além de outras promovidas online. A formação é uma iniciativa do PTI, por meio da Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e de duas instituições francesas: a Universidade de Tecnologia de Compiègne (UTC) e a Escola Nacional Superior de Arquitetura de Nantes (ENSA - Nantes). 
    
Os módulos são divididos em duas etapas de 40 horas de trabalho presencial, sendo a primeira parte dedicada ao diagnóstico, e a segunda, à preposição de uma solução aplicável. Neste primeiro módulo, que segue até sexta-feira (15), o tema está sendo a Atratividade Urbana, tendo como case Foz do Iguaçu. O objetivo é buscar maneiras de consolidar a região como um polo global de tecnologias sustentáveis. Ao fim da formação, os participantes estarão capacitados para elaborar projetos utilizando preceitos de sustentabilidade com base em referências internacionais já consolidadas.
    
Entre 2015 e 2016, um projeto semelhante foi realizado, com sucesso, na Região Metropolitana de Curitiba.“Esse é um projeto que nós já desenvolvemos anteriormente pela Unilivre, onde todos os aspectos relacionados ao desenvolvimento sustentável na região metropolitana foram discutidos. O PTI e a Itaipu são lideranças na região, e o que a gente percebe é que no Oeste as competências se complementam. Então, acho que o terreno aqui é bem fértil para que a gente possa desenvolver o mesmo modelo”, destacou Celso Kloss, diretor superintendente da Unilivre, durante a abertura.
    

      
A metodologia utilizada, apesar de criada ainda na década 1970, é considerada inovadora por utilizar cases reais dos municípios durante a construção coletiva, conforme explicou Carlos Sérgio Asinelli, diretor da Câmara de Comércio França-Brasil do Paraná e consultor da Unilivre: “Os alunos aprendem fazendo. É uma construção coletiva do grupo e, pelo fato do grupo ser sempre multi-formação a solução é muito mais completa do que uma solução que teria origem em um grupo só de engenheiros ou só de arquitetos”. Asinelli também ressaltou as potencialidades do território: “A região Oeste é uma das mais dinâmicas do Brasil, e talvez do mundo, pelas suas características, pela série de ativos e diferenciais”.
     
O desenvolvimento da região foi o grande motivador para a criação do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) em 2003 a partir da ampliação da missão da Itaipu Binacional. Durante a formação, o diretor técnico do Parque, Claudio Osako, citou a evolução ao longo de sua trajetória. “Em algum momento da linha do tempo da usina (Itaipu), o desafio do Parque era quebrar essa dependência tecnológica. E isso temos feito. Já conseguimos entregar alguns sistemas e equipamentos, que foram demandados pela área técnica de Itaipu. Aos poucos, vamos conseguindo formar pessoas e estruturar laboratórios que sejam capazes de atender a diversas demandas. Se deixássemos o fluxo normal, essas demandas continuariam sendo atendidas por empresas estrangeiras”, concluiu.
     
Entre os temas abordados durante a formação, dois tem relação direta com as questões ambientais: o desafio dos resíduos sólidos e os riscos urbanos, com maneiras de como mitigar ameaças ligadas à água e ao solo. “O primeiro módulo será atratividade urbana; o segundo, a questão da eficácia da implementação de políticas e projetos urbanos; o terceiro, um trabalho sobre a mobilidade urbana; o quarto, resíduos; e o último é uma questão relacionada a riscos urbanos”, listou Cláudia Enrech, diretora adjunta da ENSA e responsável pela aplicação da metodologia no programa. 
    

      
Pela primeira vez no Brasil, a urbanista francesa Emmanuelle Quiniou, que possui uma vasta experiência na área de ordenamento territorial, contou que espera transmitir a sua expertise em elementos metodológicos e modos operacionais. “Espero que possam crescer com isso. Eu estou atuando pela primeira vez nesse território, e para mim é uma folha de papel em branco”, finalizou.
    
Mais do que um olhar técnico, as cinco temáticas abordadas durante a formação devem se desdobrar em muitas outras questões, como aspectos jurídicos, sociais, culturais, ambientais e econômicos. O próximo módulo, cujo tema será a eficácia da implementação de políticas e projetos urbanos, será realizado em Foz do Iguaçu (PR), em outubro.