Sustentabilidade: estudantes incubam empresa no PTI para a produção de óleos essenciais

Sustentabilidade: estudantes incubam empresa no PTI para a produção de óleos essenciais

07/12/2018

Os óleos essenciais naturais podem ser utilizados como medicamentos, aromatizantes ou cosméticos. Apesar do Brasil contar com uma imensa biodiversidade para a extração de diversos tipos de matéria-prima, de acordo com dados do Sebrae apenas 3% dos produtos comercializados internamente são produzido no país.
     
Essa lacuna foi um dos motivos que levou um grupo de estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de Toledo (PR), a transformarem uma ideia em negócio. Entre 130 projetos inscritos, a Organi foi uma das nove empresas selecionadas para o processo de incubação oferecido pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI).
    
O empreendimento, que deve começar as suas atividades práticas já no primeiro trimestre de 2019, tem como objetivo extrair óleos de diferentes fontes vegetais cultivadas em locais próprios e selecionados. “O nosso principal propósito é de extrair óleos essenciais de fontes renováveis, dando ênfase principalmente na qualidade e pureza do produto”, explica a estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Lyanara Schneider Maranhão.
   
Durante todo o processo de extração, a preocupação com a sustentabilidade ambiental deve ser levada em consideração pelos novos empresários. “É possível extrair a essência sem eliminar a planta. Isso acaba tornando a fonte do óleo essencial ecologicamente correta. Sem contar que essas folhas depois da extração podem ir para compostagem e serem utilizadas como adubo orgânico. Na indústria, será gerado um resíduo na forma de água, que poderá ser utilizada para venda como água aromatizada”, conta.
    
Com a disponibilidade de uma área particular, e outras cedidas por produtores da região para o plantio da matéria-prima, e ainda uma indústria terceirizada com a destilaria já montada para extração, o novo negócio deve ter capacidade para a produção de 10 a 30 litros de produto acabado por lote, e de até um lote por dia.
    
A instalação da Organi também deve beneficiar as universidades da região, que estarão aptas a utilizar o novo espaço para realizar laudos de qualidade em troca de amostras de óleos essenciais para o desenvolvimento de novas pesquisas no setor.
   
Processo de incubação
    
Para chegar até esta etapa de incubação, os empresários da Organi (Lyanara Schneider Maranhão, Hermes Fiorentin, e Rufer Filho) participaram de um edital lançado pelo PTI que contemplou a região por meio das três unidades da Incubadora Santos Dumont do Programa de Desenvolvimento de Negócios do Parque: duas em Foz do Iguaçu e uma em Marechal Cândido Rondon.
           
Durante três meses, os empreendedores passaram por capacitações nas áreas de mercado, gestão e pessoas, tecnologia e finanças. Para a validação dessas ideias, os inscritos passaram por uma banca avaliadora, composta por empresários e investidores. “O acompanhamento do pessoal da Incubadora do PTI foi muito importante para o meu desenvolvimento e o desenvolvimento da empresa. Tive a oportunidade, durante esse processo, de entrar em contato com os nossos possíveis clientes e entender qual o real problema que eles possuem. Sem contar, que aprendemos a projetar as receitar e determinar o preço de venda de alguns óleos essenciais”, destaca Lyanara.
    
De acordo com o diretor-superintendente do PTI, Jorge Augusto Callado, a nova empresa é um exemplo de como é possível gerar emprego, renda e inclusão, sem deixar de lado a conservação da biodiversidade: “Todas as iniciativas que têm como característica o uso sustentável dos recursos naturais e o respeito à conservação da biodiversidade são muito bem-vindas. Esse é um exemplo que estamos colocando os serviços ecossistêmicos e serviços ambientais à disposição da espécie humana. E isso tudo gerando emprego, renda e inclusão. É uma iniciativa que estamos apoiando e esperamos outras da mesma magnitude”, destaca.
    
A incubação para cada projeto aprovado pode durar até três anos e conta com o acompanhamento técnico da incubadora, desde a abertura da empresa até a fase de plena autonomia. Neste processo, eles irão receber orientações de metodologia para o desenvolvimento do projeto e ferramentas para o desenvolvimento de soluções, seguindo os seguintes eixos: o empreendedor, o capital, o mercado, o tecnológico e a gestão.